CPI das Bets: o que a investigação no Senado mostrou e por que o relatório foi rejeitado
Retrospectiva. A CPI funcionou entre o fim de 2024 e junho de 2025.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets foi criada no Senado para investigar o crescimento das apostas online, a publicidade com influenciadores, a ligação com crimes como lavagem de dinheiro e os efeitos sobre o orçamento das famílias. A relatora foi a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).
O que a CPI discutiu
Durante meses, a comissão ouviu representantes de empresas, especialistas em saúde e finanças e influenciadores digitais que divulgavam apostas. Os depoimentos de influenciadores conhecidos ganharam grande repercussão e levaram o debate sobre a publicidade das bets para fora do Congresso. Os dados do Banco Central sobre o dinheiro de famílias pobres indo para as apostas também foram centrais nas discussões.
O relatório
O relatório final tinha 541 páginas. Ele pedia o indiciamento de 16 pessoas, entre elas influenciadoras digitais, e propunha 20 projetos de lei para reduzir os danos das apostas, incluindo mais poderes para a Anatel bloquear sites ilegais.
A rejeição
Em 12 de junho de 2025, o relatório foi rejeitado por 4 votos a 3. Segundo a Agência Senado, foi a primeira vez em dez anos que uma CPI do Senado teve o relatório final rejeitado. Com isso, a comissão terminou sem um relatório aprovado e sem os pedidos de indiciamento. A relatora anunciou que enviaria o documento a autoridades como o Ministério da Justiça e o Ministério da Fazenda.
Vale lembrar: um pedido de indiciamento em CPI não é condenação. Ele só sugere que as autoridades investiguem.
Por que isso ainda importa
A CPI deixou um registro público de como as apostas se espalharam pelo país, e muitas das propostas voltaram depois em outros projetos e normas. Para acompanhar o que mudou nas regras desde então, veja a linha do tempo.