Bets e comércio: como as apostas tiraram dinheiro do varejo e das famílias
Retrospectiva. O estudo mais recente da CNC citado aqui foi divulgado em abril de 2026.
O dinheiro que vai para a aposta deixa de ir para algum outro lugar: o supermercado, a farmácia, a loja de roupas, a prestação da casa. É por isso que o comércio foi um dos primeiros setores a medir o efeito das bets na economia.
O que a CNC calculou
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) acompanha as apostas desde 2024. Segundo os estudos da entidade:
- em 2024, o varejo deixou de faturar cerca de R$ 103 bilhões por causa do dinheiro desviado para as apostas;
- somando janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência ligada às bets retirou cerca de R$ 143 bilhões do comércio;
- as apostas levaram cerca de 270 mil famílias à inadimplência, e cerca de 268 mil chegaram à inadimplência grave, com atrasos de 90 dias ou mais.
A CNC também foi a autora da ação no STF que levou à proibição do uso de benefícios sociais em apostas.
Dívidas em nível recorde
As apostas não são a única causa do endividamento, que também depende de juros, renda e emprego. Mas elas pioraram um quadro que já era difícil. Pela pesquisa de endividamento da própria CNC (PEIC), o percentual de famílias com dívidas chegou ao maior nível da série, iniciada em 2010, e 13% das famílias disseram não ter condições de pagar o que devem.
O que isso significa para uma casa
Pesquisas com apostadores mostram que muita gente deixa de comprar coisas do dia a dia para apostar: roupa, lazer, comida, internet, itens de higiene e até remédio. Somado, isso vira um número bilionário. Dentro de casa, vira geladeira vazia, conta atrasada e briga.
Por onde começar
Se as apostas pesaram no seu orçamento, monte um retrato honesto da situação com a gestão de dívidas e veja o que dá para recuperar. Se você convive com alguém que aposta, veja como proteger o dinheiro da família.